Etterna

Quando o apóstolo anunciava este Evangelho, “Cristo morreu por nossos pecados…”, ele estava anunciando precisamente o quê?Figura de Jesus

Há duas interpretações possíveis desta afirmação, uma nós criticamente a chamamos de alienante. Cristo morreu por nossos pecados porque Deus exigiu uma vítima, um expiador e essa vítima foi Cristo, então a tônica dessa interpretação é o próprio sofrimento, mas não analisamos que essa visão não tem lógica nenhuma com aquilo que Jesus revelou sobre o Pai. Jesus revelou que o Pai é amoroso, misericordioso e bom. A Bíblia já revelou na experiência de Abraão que o Pai não quer vítima. Quando Abraão estava para sacrificar seu filho Isac, Deus disse:

“Abraão, basta!”, porque ele estava influenciado pelas religiões sacrificiais na época. Então, se Deus não quer sacrifício, não quer sofrimento, não quer vítima. Dizer que foi porque Ele exigiu uma vítima, um expiador para perdoar e apagar o pecado do mundo para reconciliar-se com a humanidade não tem muito sentido. Mas há muitas espiritualidades ainda hoje que são movidas por essa visão, de que Deus quer o sacrifício.

Porém, há outra visão desta mesma afirmação:  Cristo morreu por nossos pecados, não porque o Pai o exigiu como vítima expiadora, mas porque o Pai amou tanto o mundo e o mundo estava perdido sem retorno e Ele mandou o Filho ao mundo para reconciliar. Cristo veio ao mundo com a missão reconciliadora que significa que todas as realidades devem ser iluminadas por novos critérios para serem transformadas. A reconciliação de fato consiste em atingir as causas que geraram a ruptura.

Só pode haver reconciliação quando, de fato, há transformação, a reconciliação significa refletir ‘o que é mesmo o pecado?’, ‘como ele atinge a minha vida?’ e ‘eu estou trabalhando para que eu consiga me desvencilhar de suas ciladas?’.

L.A.O.

É importante a gente lembrar dos costumes dos pastores da época. Cada pastor tinha o seu rebanho e, durante o dia, ia onde quisesse à procura de pastagem. Mas à noite, para a segurança de seu rebanho, eles colocavam todas as ovelhas num único e imenso curral. Interessante era que pela manhã, cada pastor chegava à porta e, quando ele falava, somente as suas ovelhas saíam. Que bonito! Os rebanhos não se misturavam ao sair, mas saía somente o rebanho daquele pastor, cuja voz era conhecida. Em seguida, outro pastor se colocava à porta e começava a falar e somente suas ovelhas saíam.

Essa é a imagem que Jesus está usando ao afirmar: “Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10,27).

Elas sabem que sua voz é sincera, que sua palavra é verdadeira, que Ele quer vida para todos sem distinção de pessoas. As ovelhas descobrem isto pela sua experiência de vida do dia a dia. Os maus pastores, os ídolos, são incapazes de garantir vida e liberdade, os ídolos exigem vítimas.

Devemos sempre ser agradecidos a Jesus, porque Ele é o pastor que abre nossos olhos e nós discernimos a sua voz dentre outras vozes, muitas vezes vozes de mercenários, de assaltantes, de ladrões.

Devemos orar por todos os pastores que interpretam o pastoreio do próprio Cristo. Que eles amadureçam, que passem pela porta que é Jesus, assimilando seus critérios, para que nenhuma ovelha de Deus passe fome e seja desprezada neste mundo, ferindo o coração de Deus. E nós seremos cobrados e julgados por isso.

L.A.O.

Três coisas, três realidades que são sempre animadoras da missão cristã:

Primeiro sentido da cruz: Oposição ao mundo. Quando Jesus foi apresentado ao templo (Lc 2,34), o velho Simão disse: “Esse menino será um sinal de contradição”. O mundo estava tão engendrado no pecado e já tão em coma que não tinha mais nenhuma reação e daí Jesus será essa força, Ele vem despertar no mundo e nas pessoas essa contradição da realidade presente, contradição à mentalidade coletiva e a tudo que se entendia por religião, por lei. São Paulo dirá: “irmãos, não vos conformeis com este mundo”. Conformar-se ao mundo significa moldar-se a ele e moldar-se a ele significará que você entrou na engrenagem da possível morte. O profeta era exatamente aquele que se colocava dentro de um grupo, de uma sociedade na esfera da contradição e claro que era odiado, expulso, morto…

Segundo sentido da cruz: Fidelidade ao Pai. A gente se lembra de Adão e Eva quando cederam ao impulso de auto-suficiência. “Coma do fruto dessa árvore e terá a mesma sabedoria que Deus”. Ter a mesma sabedoria que Deus significava poder prescindir de Deus. Ao passo que Jesus de Nazaré faz questão de reafirmar, de publicar a sua dependência do Pai: “eis que vim ao mundo para fazer a vontade de meu Pai”, “afasta de mim este cálice, contudo, que seja feita a Tua vontade”. Fazer a vontade de Deus significa estar em comunhão com Deus, com o outro, com a criação. Isto é garantia da vida e do equilíbrio da criação.

Terceiro sentido da cruz: Coragem. O que é coragem? Basta dizer que significa amar mais a causa que a si mesmo. Quando eu amo muito a mim mesmo, eu não tenho coragem, tenho medo e tendo medo, eu me omito, renuncio à missão quando ela significa risco.

Amar a cruz, portanto, significa Oposição ao Mundo, Fidelidade ao Pai e Coragem.

L.A.O.

Agradecidos estamos a Cristo e queremos orar por todos os pastores que interpretam o pastoreio do próprio Cristo para que cresçam e amadureçam como pastores, que passam pela porta que é Jesus, assimilando seus critérios, para que possamos nos alegrar, possamos ter um número menor e quem sabe nenhum que passe fome, que seja desprezado neste mundo, ovelhas de Deus colocadas à margem do processo da vida, ferindo o coração de Deus e nós seremos cobrados e julgados por isso. Será este o vestibular final da salvação.

Não há nenhuma passagem no Evangelho em se falando de julgamento que Jesus vai perguntar:

  • “Quantas vezes você comungou?”
  • “Quantas vezes você leu a Bíblia?”
  • “Quantas vezes você foi à missa/culto etc?”

Não são estas as perguntas, mas a pergunta é mais grave. “Eu estava na pessoa da ovelha ferida, ameaçada de morte, fraca, desanimada, jogada à margem do processo da vida, e o que você fez por mim?” (Mt 25) E será tarde dizer: “não sabíamos, por que o Senhor não falou antes pra gente?”

Jesus falou sim e falou claramente.  Nós é que não aprendemos, fechamos os olhos, os ouvidos, acreditamos noutro processo que é a correria na vida pelos primeiros lugares. E então, Ele dirá: “Não vos conheço!”.

L.A.O.

Jesus era um homem maduro, livre, desapegado da própria vida, amante da humanidade, Salvador, porém nenhuma experiência o amargurou tanto quanto a narrada em (Jo 13,21.38).Jesus e apóstolos

Um dos seus que tantas vezes esteve com Ele, sentou-se à mesa com Ele, mas foi fraco e o traiu… Pobre Judas! Como o seu projeto era mesquinho, limitado. E não só Jesus fala dessa traição como já acena para a negação de Pedro. Num impulso generoso, Pedro diz: “Senhor, nós vamos contigo, se for necessário, vou morrer contigo”. Jesus diz: “Pedro, você me negará três vezes antes que o galo cante”.

Quadro melancólico da Igreja iniciante, dois apóstolos, um o traía e o outro o negaria.

Quantas vezes nós somos Judas?

Nós nos fechamos em nossos projetos mesquinhos ao invés de abraçarmos o ideal de Jesus, preferimos as 30 moedas, então o vendemos, o entregamos.

Quantas vezes nós somos Pedro?

Em situações difíceis, preferimos negar para salvar nossa própria pele. “Não o conheço”! Se não dizemos isso com essas palavras, pior do que isso, nossas atitudes negam Jesus, negando nosso compromisso com Ele. Certamente se Pedro tivesse crido menos em si e mais em Jesus, teria dito: “Senhor, então não permita que eu o negue uma vez sequer, dê-me a força que precisarei!“. Muitas vezes acreditamos mais em nós mesmos, em nosso poder, no que no poder de Deus.

Quando lemos esse Evangelho, nos escandalizamos com as atitudes de Judas e Pedro, porém tantas vezes essas são nossas próprias atitudes, ou temos consciência de que o fundamento é o próprio Jesus, Ele não nos nega, Ele não nos trai, Ele continua a entregar-se por nós.

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Apóstolo PedroTantas vezes Jesus vai preparando os discípulos para essa realidade. Ele vai dizendo:

Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos escribas, que o condenarão e o entregarão aos pagãos para o escarnecer, açoitar e crucificar, mas ao terceiro dia Ele ressuscitará” (Mt 20,18s).

Essa parte da ressurreição eles não entendiam bem, mas entendiam toda a questão do sofrimento. Por isso, até aquele momento, Pedro que não estava afim disso, e sabia que se Jesus fosse atingido, eles também o seriam, pois eram seus seguidores, ele diz:

Deus não permita, Senhor, que isto aconteça!!” (Mt 16,22).

Jesus olha para ele com gravidade e diz:

Afasta-te de mim, Satanás!” (Mt 16, 23).

Por que agora Pedro é Satanás? Há pouco tempo atrás, Jesus tinha elogiado a fé de Pedro, quando ele disse:

Tu és o Filho do Deus vivo!” (Mt 16, 16).

Por que agora Pedro é Satanás?

Porque Satanás é aquele que divide, interrompe, que rompe, que corta ao meio. Dentro de nós está o Diabo, quando estamos divididos, quero, mas não quero, decido, mas depois não reúno motivação para cumprir, prometo, mas não cumpro. Essa divisão do ser é o Diabo na pessoa, no grupo humano, em uma sociedade que tem classes sociais, cada uma tentando fazer com que toda a sociedade tenha a sua visão, lutando pelos seus interesses.

Expulsá-lo significa o quê? Reconciliar, trabalhar as causas da ruptura. Jesus veio reconciliar o mundo, não só dizendo: “Vocês estão perdoados”, mas atacando a raiz que é o pecado.

Que neste advento que nos prepara para o Natal do Senhor, a gente possa fazer a experiência profunda de Deus,

Apresentação do menino Jesus no Templo

Apresentação do menino Jesus no Templo

não fiquemos distraídos com a proposta da sociedade de consumo se manifestando nos presentes, nas bebidas, nas comidas, nas preocupações ou mesmo num clima poético, a gente ouve tantas palavras poéticas e vazias neste período de Natal, palavras absolutamente ocas que não constroem nada, que não

questionam nada, então entra Natal e sai Natal e continuamos os mesmos, com a mesma consciência, aquela rotina, aquela chatice, será que é isso Natal? Será que podemos dizer com Verdade que Deus está conosco? Identificamos os seus sinais?

No tempo do Rei Acaz (Is 7,10), o profeta lhe oferece um sinal e ele diz: ’Não! Isso é tentar a Deus’. É porque ele não estava disposto a perceber o sinal de Deus e nós muitas vezes também não, achamos melhores os nossos sinais, uma música… Uma luz… Um peru… Uma bebida… “Amigos” que se juntam…

Quais os sinais de Deus? Passamos absolutamente distraídos. A Salvação não entra na historias por pessoas distraídas, mas por pessoas atentas como Maria, José, Isabel, Zacarias, João Batista.

Que nós também possamos ser esses precursores, isto é, preparadores do caminho do Senhor, dentro da nossa realidade, homens e mulheres pós-modernos, século XXI, e não fiquemos atidos ao passado do nosso Natal de criança. O Natal é para nos tornarmos adultos e adultos na fé e percebermos os sinais que são dirigidos a nós e que nós devemos acolhê-los para que Deus possa realmente estar conosco, Deus Conosco Emanuel!